Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Da minha janela...


Estou sentada, naquela cadeira que, durante seis semanas, me permitia ver o mundo. Não o mundo a que estamos habituados, pois não era nada de grandioso. Muros completamente desenhados (pura arte, há quem diga), casas que parecem tocar no céu e ruas que teimam em não ter fim. Vejo lá fora os carros correr pelo stress da manhã.

Está a chover...
...e da rádio chegam notícias de acidentes por todo o país!! A rádio está sintonizada numa estação em que passa múscia dos anos oitenta. Fazemos por passar os dias com boa disposição porque cuidamos de pessoas que precisam da nossa atenção, do nosso sorriso.

Por entre o fumo da fábrica que consigo ver através do vidro, por entre os farois dos carros, por entre as gotas de chuva que caem, há qualquer coisas de mágico nesta cidade, algo que só eu consigo sentir, algo que sou incapaz de transmitir. Trago-a no coração e não serei nunca capaz de a tirar de lá (:

Mas como poderia esquecer?!
Aquele barulho que ouvia umas quantas vezes por dia, todos os dias. Aquela multidão que partia com diferentes destinos, diferentes objectivos, diferentes vidas...
Eram uns quantos por dia e conseguia acompanhá-los a todos, um a um. Desde o suburbano, ao intercidades e ao alfa, todos partiam com a certeza de que, algures por aí, faziam uma imensidão de pessoas felizes.

Como já estarão a prever, não consegui que a minha mente não voasse e me levasse para bem longe!!
Desejava partir num daqueles comboios, ir para bem longe, para um lugar desconhecido, partindo para uma aventura!!!

Debaixo do orvalho que se fazia sentir lá fora, três pessoas passavam a linha do comboio e, com a inocência de uma criança e apenas com a sabedoria que possuia, uma doente minha diz-me: "menina, lá vão aqueles três com guarda-sois abertos; a chuva deve tar molinha" . É verdade, e talvez dê vontade de rir, porque foi o que eu própria senti na altura mas, perante um comentário destes, todo o palavreado que por vezes usamos perde todo o sentido. O ser humano consegue ser realmente surpreendente. Talvez não tivesse um curso, talvez não fosse uma pessoa formada, possivelmente nem saberia ler ou escrever, mas nunca serei capaz de julgá-la...

...nunca saberei porque o disse naquela altura!!Apenas sei que foi um comentário mágico que me permitiu prolongar um pouco mais a minha escrita.


Mas...
Acho que me perdi entretanto com as palavras...

Continuava a desejar partir naquele comboio a que chamam de intercidades. Parar em cada estação e deixar que o brilho dos meus olhos pudessem ver para além do que a visão pode mostrar, sentir para além do bater do coração. De quando a quando cruzar-me com outro comboio e sentir que as cores se perdiam na velocidade que levávamos. Não sabia muito bem para onde ía, mas não fazia ideia do que me esperava. Partia para aquietar uma saudade que apertava bem forte, uma saudade que foi capaz de resistir ao longo dos anos, deixando que uma bela amizade se pudesse construir. Nunca perdeu a sua magia...

A chuva continuava a cair. Era silenciosa, parecia ter medo de mostrar o seu poder, a sua força. O vento já não tinha forças para soprar e o sol parecia envergonhado. O dia estava cinzento e parecia não querer mudar. Não por agora.



Tenho que ir trabalhar...
...os meus doentes precisam de mim!!
No entanto, a cadeira vai continuar à espera que alguém se sente e possa, através daquela janela envidraçada, sonhar...

...nunca saberei se alguém será capaz de ver tudo o que vi, sentir tudo o que senti durante aqueles dias, mas especialmente naquele dia em que me sentei e senti que era ali que deveria embriegar-me por entre as palavras!!

Os muros completos de arte, as casas que parecem chegar ao céu, os carros apressados...
Tudo continua lá...
Basta apenas pegar numa gota de chuva e deixar a mente voar!!

Talvez um dia volte aquela janela...
Talvez um dia ela me mostre para além da chuva...
Talvez um dia eu consiga deixar de sonhar...

...NÃO. Isso seria praticamente impossível, pois no dia em que deixa-se de sonhar, deixaria de conseguir escrever (:

Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Como um puzzle...


Imagino que cada um de nós é uma peça de um puzzle...


Mas o que faz uma peça de um puzzle sozinha? Muito provavelmente faz toda a diferença, mas não vale de nada se não tiver uma outra ao lado onde consiga encaixar.


Estava a chegar o inverno...sentei-me na minha cadeira e pus-me a imaginar!! Rapidamente cheguei ao meu mundinho vendo que lá estava algo de novo para descobrir :) Era, sim era ela...a peça que faltava para completar o meu dia...
Ainda que de uma forma um pouco descordenada e desorganizada, ia juntando as minhas pecinhas por cada sitio que passava, por cada pessoa que se cruzava na minha vida, por cada momentinho especial, por cada olhar trocado, por cada palavra proferida no momento certo, por cada sorriso, por cada amigo que fazia, por cada demonstração de carinho, por cada lágrima, por cada coisa especial que tinha o prazer de presenciar sem nunca ter pedido que coisas maravilhosas me acontecessem.
Cada pecinha nova que juntava era um orgulho, era parte da minha vida que nunca mais iria esquecer...


Naquele dia, mais uma vez, encontrei uma peça muito importante...uma que já procurava à muito tempo, mas que nunca tinha conseguido encontrar!!

Estava feliz...tinha finalmente conseguido...

Só que, como a vida já me tinha mostrado muitas vezes, as coisas de mão beijada sabem a pouco...a muito pouco! E naquele dia eu percebi que não ia ser fácil...
Ela girava, como se de uma demonstração em 3D se tratasse...girava tão rápido que me era praticamente impossível perceber o que a trazia até ali...os seus segredos!!


Agarreia-a...


Parecia não bater certo...faltava qualquer coisa...era como se tivesse duas faces!!

De um lado...era como se fosse perfeita para ocupar o espacinhu que a esperava...mas do outro lado...parecia triste, sem vontade de pertencer a lado nenhum :( sentia-se demasiadamente sozinha para agora querer partilhar o que fosse com alguém...

Mas era mágica...sem dúvida!!

Era possuidora de um brilho inegulável, de uma beleza extraordinária, de um coração gigante...*
Deixava-me confusa...
Se por um lado a axava maravilhosa, por outro tinha medo de lhe tocar.
Se axava que as vezes era perfeita, pois havia outras em que não conseguia ver qualquer perfeição...

Era portadora de sentimentos puros...mas controversos...
Era capaz de me fazer sonhar...e tornar-se o meu maior pesadelo...
Era diferente e bastava isso...
Era por isso que era tão importante...a sua originalidade tornava-a a mais especial de todas...




Não sei se algum dia serei capaz de a compreender, se algum dia a poderei possuir, se algum dia vou puder partilha-la com alguém...

Apenas sei que descobri porque era tão especial, porque possuía aquele brilho, porque é que parecia tão controversa, porque é que tinha vindo preencher o vazio do puzzle que ia construindo ao longo da vida...

...era uma peça crucial sem a qual nunca puderia viver, sem no entanto não a conseguir compreender.


Se algum dia encontrarem uma peça tão especial como a que possui um sentimento como o amor, então aí serão capazes de entender como me sinto quando me deparo com a "minha" principal peça e não sou capaz de a possuir...nem tão pouco capaz de a controlar, sabendo no entanto que é essa peça que faz o meu puzzle ter continuidade (:

Sábado, 3 de Novembro de 2007

Corações em silêncio


Estava sentada na minha cama.

Estavamos no mês de outubro e o frio da noite já puxava a um pijama mais quente e uma colcha mais grossa.

Por entre o silêncio que se fazia sentir pela casa concentrava-me nos meus sagrados minutinhos de leitura. Tinha em mãos um livro escrito por um grande romancista...um livro que nos faz perder um pouco noção da realidade, permitindo-nos sonhar!! "Corações em silêncio" retrata a história do uma mãe que abdica da sua vida, da sua paixão pelo que fazia para cuidar de um filho com necessidades especiais.


Um coração em silêncio é capaz de guardar os maiores segredos, os mais espantosos sentimentos, os mais especiais momentos, as melhores recordações...É,acima de tudo, capaz de amar incondicionalmente. O silêncio é um momento em que paramos para reflectir ou apenas para perceber um amigo.É o momento em que tomámos decisões importantes e onde deixamos que as lágrimas percorram a nossa face.É um momento só nosso ainda que alguém esteja presente...



Torna tudo mágico na altura de dizer "eu amo-te" e tudo muito sombrio quando dizemos "és uma desilusão". Pode ser muito cruel por vezes,não conseguindo definir o momento...no entanto, é capaz de reunir um turbilhão de sentimentos fazendo com que estes sejam transmitidos através de um olhar!!



É a chave de uma verdadeira amizade, é o cúmplice da compreensão...é essencial á vida, ainda que invisível aos olhos (:

Apenas os mais sábios são capazes de o possuir, apenas os mais verdadeiros o conseguem sentir!

Pertence aos corações mais bondosos, aos mais "perdidos" e aos que procuram respostas sinceras. Nem todos o aceitam...nem todos são capazes de partilhar a sua cumplicidade, a sua essência!!

Um coração em silêncio é capaz de criar um momento mágico...é capaz de nos permitir viver no "nosso mundinho", é capaz de nos fazer sorrir (:

...é o nosso equilibrio, o nosso ponto mais forte, quando as palavras não conseguem expressar-se por si mesmas! ^^

O meu coração está em silêncio...

Sábado, 25 de Agosto de 2007

Bubbles



É um mundo mágico, capaz de nos levar para além do que conhecemos, da realidade...

De sabão, de papel, de borracha, de pastilha elástica, de vidro...ou mesmo fruto da nossa imaginação, existem "bubbles" para todos os tamanhos e feitios...

Fazem parte da nossa infância, da nossa magia de querer viver, e ir à procura do desconhecido...

Fazem parte da nossa curiosidade e capacidade de criar algo diferente...

Passeava mais uma vez na minha mágica cidade (essa que eu criei nos meus sonhos). Passei ao largo de um jardim onde crinças brincavam, com aquela energia que só uma criança sabe ter, com aquele sorriso que só elas sabem dar, com aquele olhar tao doce e tão sincero que só a elas lhes pertence...
Tão verdadeiras e tão sinceras, tão traquinas e espevitadas, tão felizes por viverem...

Nesse mundo mágico onde só as crianças vivem, e onde os adultos estão proibidos de entrar...existe p'ra lá de muita imaginação, e o sonho de que tudo é possível sem temer quaisquer consequências...

E foi aí que eu vi, pela primeira vez, a minha "bubble" (:

Era grande, transparente, tinha um brilho que lembrava um arco-íris num dia cinzento. Era levada pelo vento...pertencia ao mundo, e o mundo pertencia-lhe. Era de todos os que a quisessem ver, mas na realidade não era de ninguém...

Era verdade que alguém a tinha lançado para a imensidão daquele céu azul, mas seria verdade que lhe tivessem dado alguma importância? Não sei, mas o mais provavél, era ela ser só mais uma "bubble" no meio de tantas outras semelhantes, mais uma esquecida e arrastada pela brisa que se fazia sentir.

No entanto, para mim, não foi mais uma perdida no indefinível céu...

Era uma "bubble" mágica, capaz de transportar segredos, capaz de fazer sonhar...

Enquanto a observava, via o seu brilho, o reflexo de vidas cruzadas, a sensação de que já tinha percorrido o mundo. Carregava com ela os segredos de desconhecidos, olhares, sorrisos, lágrimas...

...e, apesar de tudo o que suportava, parecia feliz, com vontade de continuar o seu percurso, descobrir novas maravilhas.

Não sei se foi um momento mágico, ou até mesmo uma coincidência, mas durante o seu percurso, pareceu notar a minha presença, pareceu reparar que a observava...

E vinha na minha direcção, mostrando o seu brilho máximo, a sua beleza ocultada em tempos, mostrando todo o seu esplendor...

...vinha sem medo, parecia querer mostrar-me os seus segredos...

E, na verdade, foi isso que senti, quando rapidamente se aproximou de mim, descendo suavemente, parecendo já não ter forças para vencer a gravidade...e se desfez!!

Ainda hoje vejo a sua luz, a sua beleza, o seu poder mágico...

...guardo comigo todos os segredos que me deixou naquele tarde. Tarde em que, sem me aperceber, fui cúmplice de um momento mágico (:


Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

Um segundo e tudo muda...



Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

O tempo está a contar. Minuto a minuto, segundo a segundo.O tempo corre, o tempo voa, o tempo empata, o tempo atrapalha, o tempo ajuda, o tempo simplesmente passa...
O tempo corre para os mais entusiasmados com a vida, os mais apaixonados...
O tempo voa para os mais stressados, os mais atrapalhados...
O tempo empata os impacientes, os mais expectantes, os mais curiosos...

O tempo atrapalha os mais apressados...

O tempo ajuda os mais sofredores, os mais timidos, os mais desesperados...

O tempo simplesmente passa para os que não têm prazer na vida...para os que não são capazes de ver algo positivo...para os que só veem escuridão, para os que não têm um objectivo para viver!!



Ele não volta atrás, tão pouco é capaz de parar nem que seja por uns minutinhos...
É cruel em muitas das vezes...
Mas um grande amigo todas as outras...

No entanto, o tempo não vive sozinho...
Ele cohabita com os contra-tempos, que esses sim são bem mais difíceis de entender, de ultrapassar...
O contra-tempo faz frente às maravilhas da vida, é capaz de nos enfrentar, capaz de passar por cima de tudo e todos simplesmente para mostrar a sua presença!! Aparece quando menos precisamos dele, e desaparece deixando muitas marcas para trás...
Marcas essas que podemos escolher esquecer, ou simplesmente levar como lição na vida.

As marcas não são como os minutos, que passam sem pensar no que fazem, sem prever as consequências...
As marcas são a consequência de uma ferida, que apesar de sarada, nunca deixará de existir...



O tempo apenas se infiltra suavemente na nossa vida...e como um sorriso doce de uma criança faz-nos acelerar o passo porque acha que estamos muito parados perante todas as atrocidades, ou pede para abrandarmos porque a vida não é para ser feita a correr....mas sim para ser aproveitada (:


Permite-nos ultrapassar os obstáculos...
Permite a realização pessoal...
Faz-nos superar a nós mesmo...
Acredita sempre que somos capazes de fazer melhor...
Está sempre presente...nunca nos deixando percorrer o caminho sozinhos (:



Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

O relógio não pára...

Mas a vida também não...

Um segundo e temos a vida de pernas para o ar, um segundo e não conseguimos conter o sorriso, um segundo e fomos os escolhidos, um segundo e perdemos um amigo, um segundo e estragamos o que demoramos anos a construir...

Um segundo e tudo muda...


Sábado, 18 de Agosto de 2007

Cúmplicidades



Amigos...

Essas caixinhas de surpresas que aparecem na nossa vida e decidem não mais sair.Aparecem sem anunciar a sua chegada,sem sequer bater à porta...simplesmente entram na nossa vida e decidem não mais sair (:

Num dia cinzento, eles tornam-no cintilante...

Numa manhã triste de chuva, eles são capazes de ficar ao nosso lado apenas para ouvir a chuva cair...

Numa noite cheia de estrelas, eles ensinam-nos a descobrir o mundo fascinante das constelações...

Numa tarde em que estamos atolhados de trabalho, eles apenas se sentam ao pé de nós e dizem: "eu estarei sempre aqui".




É com eles que partilhamos as mais pequeninas maravilhas da vida...os mais ternurentos sorrisos...os mais sinceros gestos...as mais mágicas palavras...as mais deleciosas conversas...os melhores momentos de parvoíce...

É com eles que as lágrimas saem com mais naturalidade...

É com eles que elas se desvanecem muito mais facilmente...



São eles que conseguem com que deixemos o orgulho de lado...
São eles que nos dizem "NÃO", quando tudo o que queriamos ouvir era um "sim"...
São eles que conseguem que vejamos o lado positivo das coisas, quando elas não têm lado positivo...

Confiam-nos os seus maiores segredos...as suas maiores loucuras...as suas maiores desilusões...

Acreditam em nós quando mais ninguém o faz...

Veem sempre o nosso lado bom, ternurento e doce...fazendo os defeitos a nossa grande qualidade (:




Mandam sms quando menos esperamos...
Dizem "volta para casa" quando achamos que fugir é a melhor solução...
Dão-nos abraços tão grandes que quase nos esmagam...
Acertam sempre no melhor momento para dizerem que gostam de nós...e estão sempre presentes mesmo quando tudo o que queremos é silêncio...

Superam-se a si mesmos quando encontram sabedoria nas palavras, só para tentar dar-nos um pouco de conforto...

Resistem aos dias menos bons...e persistem nos dias maravilhosos(:



Simplesmente existem para tornar a nossa vida um pouco mais doce e muito mais feliz !!^^ *



Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

Distância vs Saudade



Parti...

As aulas tinham terminado e estava na altura de ir de férias e, como qualquer outra pessoa, cansada de um ano de trabalho, estava ansiosa...mas eu sabia que desta vez ia ser diferente...
Não que tenha pressentimentos e essas coisas a que muita gente chama "feeling" , mas porque eu estava diferente...

Tinha crescido ao longo daquele ano, e o facto é que muita coisa mudára desde então...
Em tempos uma menina tímida, inocente, e um pouco fechada...era agora uma rapariga com muito mais para dar, muito mais expontânea, muito mais amiga do seu amigo, muito mais extrovertida...

...começava a notar que a vida tinha tanto para me dar e ao mesmo tempo muito para me ensinar!!


Então fui....e como sempre, tinha uma necessidade enorme de conhecer alguém novo, alguém que não me conhecesse e não me julgasse à priori pelo que sou ou fui em tempos...alguém capaz de olhar pa mim e não me avaliar pelo exterior, alguém capaz de captar uma primeira impressão, sem que isso tivesse uma grande influência sobre tudo o resto.

E assim foi...passei por muita gente desconhecida, entre sorrisos e olhares, entre dialectos que mal compreendia, entre crianças e jovens, entre vidas...
Não lhes falava, nem tão pouco conhecia a vida daquelas pessoas, mas sentia uma vontade imensa de saber o que está para além das fronteiras do meu país, o que está para além do meu saber...

E já não devíamos nós saber que a vida é algo de tão maravilhoso?

Desde de um sorriso sincero de uma criança de 10 anos que passava os dias enfiada na piscina, a um olhar sincero de um jovem que se encontrava numa cadeira de rodas.
As palavras foram surgindo, assim como o sentimento de cumplicidade que se foi criando ao longo de uma semana...

Quando dei por mim, já não falava a minha lingua e nem tão pouco me sentia sozinha...

As tardes eram agora passadas na piscina, até ao sol se pôr...

Os dias iam passando a anos luz...assim como o dia da minha partida ): Sabia que estava a 1100km de casa e que nada poderia fazer para mudar isso, mas ainda assim...foi dificil deixar um local onde pessoas, que nos captaram com um primeiro olhar, nos fizeram sentir tão bem.




A distância é uma das coisas menos boas (não diria más) que a vida nos proporciona...
É ela que nos traz a saudade, é ela que termina relações, é ela que nos faz perder a possibilidade de começar uma nova amizade...
No entanto, é também ela que muitas vezes fortalece o amor...
Reencontra uma amizade...
Nos faz sonhar e viver sempre com esperança!!

Esperança de que um dia possamos estar com aquela pessoa que algum dia teve uma marca importante na nossa vida....
Esperança de que ela nunca estragará os sentimentos e raízes que criamos ao longo da nossa existência...
Cheguei...
Estava feliz por estar de volta a casa...
E o que seria de nós, sem a evolução dos tempos?
Não que isso nos teletransporte a pessoa para junto de nós, mas pode sempre "encurtar" a distância fazendo com que, quem sabe, uma nova amizade possa surgir...



Recortes de uma cidade...

É de noite...uma luz maravilhosa pode ver-se romper rio a dentro! A cidade esta quieta, ouve-se apenas o silêncio. Caminhando pelo marginal, posso ver as paisagens maravilhosas do douro e sentir a brisa que vai tocando a minha pele suavemente...


É verão, e tudo parece ter uma magia tão especial. Ao ver os barcos rabelos no cais, lembro-me de como tudo era antes de o ser como na actualidade...lembro-me de ser "gente pequena" e tão pouco gostar de passear perto do rio.

A ponte, sim, essa imponente e magnifica, sempre la esteve, mas agora o seu brilho é maior. Não porque tem mais iluminação, não é isso...mas porque as pessoas usufruem muito mais da sua beleza...

Quando passo pelo cais, vejo casais apaixonados que se deliciam com as fotografias fantásticas que podem tirar perante um cenário como este. Vejo os seus sorrisos transparecerem para além do céu e a cumplicidade sempre presente...

Não menos felizes, mas mais marcados pelo tempo, estão os senhores e senhoras que aproveitam a brisa e veem dar um pulinho à janela, ver quem passa...O porto tem a sua magia máxima quando olhamos as casas típicas da ribeira e a gente que por lá passa...a magia que se impõe pelas histórias antigas e pelas marcas deixadas em tempos.





Continuo pelo cais, em direcção a afurada...e é então que vejo um senhor, já com roupa de alguns dias, deitado num banco...crianças passam e riem, adultos olham com indiferença...será esta pessoa mercedora de tamanha humilhação? Não estou aqui para fazer uma critica social, tão pouco para dizer o que está certo ou errado...apenas mostrar que isto também faz parte da magia da cidade...pois a cada passo dado nos cruzamos com situações semelhantes...

E ali esta, aquele senhor deitado, tentando descansar de mais um dia pela luta contínua pela sobrevivência...

Não puderemos nunca julgá-lo...

Não puderemos nunca sentir o que sente...

Não puderemos nunca compreendê-lo na totalidade...

Não puderemos nunca substimá-lo...